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Coração falhando à noite: devo me preocupar?
- 4 de dezembro de 2025
Muita gente chega ao consultório dizendo:
- “Dra Poliana, parece que meu coração falha às vezes.”
- “Sinto um tranco no peito quando vou deitar.”
- “De madrugada, acordo com o coração batendo estranho.”

Essa sensação de “coração falhando” é muito comum e pode ter várias explicações. Na maioria das vezes, o que a pessoa percebe é:
- batimentos extras (as famosas extrassístoles), que dão a sensação de “pulo” ou “tranco”;
- uma pausa seguida de um batimento mais forte;
- ou simplesmente uma percepção aumentada do próprio coração, principalmente em momentos de silêncio, deitados na cama.
Nem sempre isso significa uma doença grave, mas também não é algo para ser ignorado se está incomodando, atrapalhando o sono ou vindo acompanhado de outros sintomas.
Por que essa sensação aparece mais à noite?
Menos barulho, mais atenção ao corpo
Durante o dia, estamos cheios de estímulos: barulho, trabalho, celular, trânsito. À noite, quando deitamos, o ambiente fica silencioso e nosso foco vai todo para o corpo — aí percebemos batimentos que durante o dia passam despercebidos.

Mudança de posição e retorno venoso
Quando você se deita, muda a forma como o sangue volta ao coração. Isso pode alterar um pouco a frequência e a força dos batimentos, dando aquela sensação de “coração mais forte” ou de “batida diferente”.
Sistema nervoso e emoções
À noite, é muito comum que ansiedade, preocupações e pensamentos acelerados apareçam. A liberação de adrenalina e outros hormônios pode:
- deixar o coração mais acelerado;
- aumentar a percepção de cada batimento;
- desencadear extra-sístoles ou palpitações.
Por isso, muitas vezes, “coração falhando à noite” é uma mistura de pequenas alterações do ritmo com ansiedade e hiperatenção ao corpo.
Causas mais comuns de “coração falhando à noite”
Você pode organizar em bullet points, deixando visualmente leve.
Situações geralmente benignas
- Extra-sístoles (batimentos extras)
Pequenos “descompassos” que a maioria das pessoas tem. Em corações estruturais normais, costumam ser benignas, embora possam ser incômodas e assustar. - Arritmia sinusal ou variação normal do ritmo
Especialmente em pessoas jovens, atletas ou com bom condicionamento físico. O coração acelera e desacelera um pouco com a respiração – isso é fisiológico. - Ansiedade, estresse e crises de pânico
Aumentam a frequência cardíaca, podem causar sensação de aperto no peito, falta de ar e a percepção de que o coração está “errando batidas”. - Consumo de estimulantes ao longo do dia
Cafeína (café, chá, refrigerantes, energéticos), cigarro, bebidas alcoólicas e até alguns medicamentos podem favorecer palpitações à noite.

Nem tudo é grave, mas tudo que te preocupa merece ser ouvido e esclarecido.
Situações que merecem mais atenção
- Arritmias mais significativas, como taquicardias supraventriculares, fibrilação atrial ou taquicardias ventriculares (especialmente se o paciente já tem doença cardíaca conhecida).
- Problemas estruturais do coração, como cardiomiopatias, sequelas de infarto, doenças de válvula.
- Doenças da tireoide (hipertireoidismo), que podem causar palpitações e batimentos acelerados.
- Distúrbios eletrolíticos, uso de algumas medicações ou drogas ilícitas.
Nem toda arritmia é grave, mas algumas podem aumentar o risco de AVC ou de outras complicações. Por isso é importante investigar, principalmente quando os sintomas se repetem.
Sinais de alerta: quando procurar atendimento com urgência
Se, junto com a sensação de “coração falhando”, você percebe:
- dor no peito ou aperto intenso;
- falta de ar importante ou sensação de desmaio;
- desmaio de fato (síncope);
- sudorese fria, mal-estar súbito intenso;
- palpitações muito rápidas e sustentadas, que não passam,
procure atendimento de urgência imediatamente.

Mesmo sendo especialista em arritmia, eu prefiro pecar pelo excesso de cuidado. Se algo está muito diferente do seu normal e te assusta, é melhor ser avaliado.
Como o cardiologista especialista em arritmias investiga esses sintomas?
História clínica e exame físico
- Quando começou?
- Acontece só à noite ou também durante o dia?
- Quanto tempo dura?
- Tem fatores desencadeantes (café, álcool, exercício, estresse)?
- Há outras doenças associadas (hipertensão, cardiopatia, tireoide, uso de remédios)?
Exames que podem ser solicitados
- Eletrocardiograma – fotografia rápida do ritmo do coração naquele momento.
- Holter 24h ou 48h – gravação contínua dos batimentos ao longo do dia e da noite.
- Monitor de eventos ou looper – para casos em que as palpitações são mais esporádicas.
- Ecocardiograma – avalia a estrutura e a função do coração.
- Exames de sangue – para avaliar hormônios da tireoide, eletrólitos, anemia etc.
Como cardiologista especializada em arritmias, o meu foco é cruzar o que você sente com o que aparece nos exames, para identificar que tipo de arritmia é – porque cada arritmia tem ‘nome e sobrenome’ e um tratamento adequado, clique aqui para ler mais.
Tratamento: sempre vai precisar de remédio?
- Em muitas pessoas, principalmente quando os exames mostram um coração estruturalmente normal, o tratamento pode incluir:
- ajustes de estilo de vida (sono, estresse, cafeína, álcool);
- manejo de ansiedade (terapia, respiração, atividade física);
- observação clínica, sem necessidade de medicamento contínuo.
- ajustes de estilo de vida (sono, estresse, cafeína, álcool);
- Em outros casos, quando há arritmias bem definidas, o tratamento pode envolver:
- medicações específicas (betabloqueadores, antiarrítmicos);
- ablação por cateter em arritmias selecionadas;
- marcapasso ou CDI, quando existe bradicardia significativa ou risco aumentado de arritmias graves.
- medicações específicas (betabloqueadores, antiarrítmicos);
Não existe um tratamento único para ‘coração falhando’. O que existe é a melhor estratégia para o seu coração, baseada em exames e na sua história.
O que você pode observar em casa antes da consulta
Anote e leve para a consulta:
- horário em que sente o coração “falhar”;
- o que estava fazendo antes (deitou, levantou, teve emoção forte, tomou café ou álcool);
- se vem acompanhado de falta de ar, dor no peito, tontura ou quase desmaio;
- se melhora sozinho e em quanto tempo.
Se você tiver smartwatch ou monitor de frequência cardíaca (pode ser do aparelho de pressão!), anote também:
- frequência aproximada na crise;
- se o relógio marcou algum alerta de ritmo irregular (sem gerar pânico, só como dado a ser levado à consulta).
Então… coração falhando à noite: devo me preocupar?
Sentir o coração “falhando”, “pulando” ou “dando trancos” à noite é algo que assusta – e eu entendo totalmente.
A boa notícia é que, muitas vezes, isso está ligado a arritmias benignas, variações normais do ritmo ou até à ansiedade.
Mas, justamente porque algumas arritmias podem estar por trás desses sintomas e porque cada coração conta uma história diferente, vale a pena investigar com calma, com um especialista em arritmia.
Você não precisa conviver com medo todas as noites, tentando adivinhar se é algo grave ou não. Esse é exatamente o tipo de dúvida que eu posso te ajudar a resolver.
Agende uma consulta comigo.
Se você sente que o coração “falha” ou “bate estranho” à noite com frequência, eu posso te ajudar a entender o que está acontecendo.
📍 Atendo no Rio de Janeiro, em Ipanema, Botafogo e Barra da Tijuca, com foco em arritmias cardíacas, palpitações e desmaios.
✅ Avaliação completa do ritmo cardíaco
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Dra. Poliana Stroligo Dias
Cardiologia e Arritmias – CRM 52.111021-7, RQE 40571, RQE 46461
Este texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica.
Poliana Stroligo
Sou médica pela UFRJ, com residência em Clínica Médica também pela UFRJ e em Cardiologia pela UERJ. Sou especialista em arritmias cardíacas com foco em síncopes (desmaios), com residência em Eletrofisiologia na UFRJ.
Dra. Poliana Stroligo
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